Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias, (Porto da Estrela, 25 de agosto de 1803 — Desengano, 7 de maio de 1880) foi um dos mais importantes militares e estadistas da história do Brasil, responsável por importantes ações militares pacificadoras em movimentos revoltosos internos.
Nasceu na fazenda São Paulo, situada na vila de Porto da Estrela, hoje Parque Histórico Duque de Caxias, no município fluminense de Duque de Caxias, em 25 de agosto, dia de São Luís de França, em homenagem ao qual recebeu seu nome. Era filho do marechal-de-campo Francisco de Lima e Silva e de Dona Mariana Cândida de Oliveira Belo. Ao seu pai, veador da Imperatriz Leopoldina, coube a honra de apresentar em seus braços à Corte, no dia 2 de dezembro de 1825, no Paço de São Cristóvão, o recém-nascido que, mais tarde, viria a ser o Imperador Dom Pedro II. Neto do marechal-de-campo e comendador da Ordem Militar de Avis, José Joaquim de Lima e Silva e Joana Maria da Fonseca Costa e bisneto do sargento-mor de Infantaria João da Silva da Fonseca Lima e de Isabel Maria Josefa Brandão Ivo - que, segundo dizem, era descendente de um irmão do glorioso Santo Ivo, canonizado pelo Papa Clemente VII no ano de 1348, membro de uma das primeiras famílias da Bretanha, em França.
Pouco se sabe da infância de Caxias. Pelos almanaques do Rio de Janeiro da época e publicados pela revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, os quais davam o nome das ruas em que moravam as autoridades governamentais, sabe-se que seu pai, desde capitão, em 1811, residia na rua das Violas, atual rua Teófilo Otoni. Esta rua das Violas, onde existiam fabricantes de violas e violões e onde se reuniam trovadores e compositores, foi o cenário principal da infância de Caxias.
Sabe-se que estudou no convento São Joaquim, onde hoje se localiza o Colégio Dom Pedro II, e próximo do quartel do Campo de Santana que viu ser construído e que hoje é o Palácio Duque de Caxias, onde está instalado o Comando Militar do Leste.
Em 1818, aos quinze anos de idade, matriculou-se na Academia Real Militar, de onde foi promovido a Tenente, em 1821, para servir no primeiro batalhão de fuzileiros, unidade de elite do Exército do Rei.
O retorno da família real e as conseqüências que daí advieram, concorreram para almejada emancipação do país. Dom Pedro I proclama a independência do Brasil e organiza, ele próprio, em outubro de 1822, no Campo de Santana, a Imperial Guarda de Honra e o Batalhão do Imperador, integrado por oitocentos guapos militares, tipos atléticos e oficiais de valor excepcional, escolhidos da tropa estendida à sua frente. Coube ao tenente Luís Alves de Lima e Silva receber, na Capela Imperial, a 10 de novembro de 1822, das mãos do Imperador Dom Pedro I, a bandeira do Império recém-criada.
No dia 3 de junho de 1823, o jovem militar tem seu batismo de fogo, quando o Batalhão do Imperador foi destacado para a Bahia, onde enfrentaria movimento contra a independência comandando pelo General Madeira de Melo. No retorno dessa campanha, recebeu o título que mais prezou durante a sua vida - o de Veterano da Independência.
Em 1825 iniciou-se a campanha da Cisplatina e o então capitão Luís Alves desloca-se para os pampas, junto com o Batalhão do Imperador. Sua bravura e competência como comandante e líder o fazem merecedor de várias condecorações e comandos sucessivos, retornando da campanha no posto de Major.
A 6 de janeiro de 1833, no Rio de Janeiro, o major Luís Alves casava-se com a senhorita Ana Luísa de Loreto Carneiro Viana que contava, na época, com dezesseis anos de idade, filha do Conselheiro Paulo Fernandes Viana, ex-Intendente Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil.
Em 1837, já promovido a tenente-coronel, Caxias é escolhido "por seus descortino administrativo e elevado espírito disciplinador" para pacificar a província do Maranhão, onde havia iniciado o movimento da Balaiada.
Em 2 de dezembro de 1839 é promovido a coronel e, por Carta Imperial, nomeado presidente da província do Maranhão e Comandante Geral das forças em operações, para que as providências civis e militares emanassem de uma única autoridade.
Em agosto de 1840, mercê de seus feitos em campo de batalha, Caxias foi nomeado veador de suas altezas imperiais.
Em 18 de julho de 1841, em atenção aos serviços prestados na pacificação do Maranhão, foi-lhe conferido o título nobiliárquico de barão de Caxias. Por que Caxias? O município maranhense de Caxias era a segunda cidade do Maranhão em importância e simbolizava a revolução subjugada. Conhecida como Princesa do Itapicuru, a cidade de Caxias havia sido, mais que outras, afligida dos horrores da guerra: tomada e retomada pelas forças imperiais e pelos rebeldes várias vezes, foi quase ali que a insurreição começou, ali que se encarniçou tremenda; ali que o Coronel Luís Alves de Lima e Silva entrou, expedindo a última intimação aos sediciosos para que depusessem as armas. O título de Caxias significava, portanto, disciplina, administração, vitória, justiça, igualdade e glória, segundo seu biógrafo padre Joaquim Pinto de Campos.
Em 1841, Caxias é promovido a brigadeiro e, em seguida, eleito unanimemente deputado à assembléia legislativa pela província do Maranhão e, já em março de 1842, é investido no cargo de Comandante das Armas da Corte.
Em maio de 1842 iniciava-se um levante na província de São Paulo, suscitado pelo Partido Liberal. Dom Pedro II, com receio que esse movimento, alastrando-se, viesse fundir-se com a revolta farroupilha que se desenvolvia no sul do império, resolve chamar Caxias para pacificar a região. Assim, o brigadeiro Lima e Silva é nomeado comandante-chefe das forças em operações da província de São Paulo e, ainda, seu vice-presidente.
Cumprida a missão em pouco mais de um mês, o governo, temeroso que a revolta envolvesse a província das Minas Gerais, nomeia Caxias comandante do exército pacificador naquela região, ainda no ano de 1842. Já no início do mês de setembro a revolta estava abafada e a província pacificada.
No dia 30 de julho de 1842, "pelos relevantes serviços prestados nas províncias de São Paulo e Minas", é promovido ao posto de marechal-de-campo graduado, quando não contava sequer quarenta anos de idade.
Ainda grassava no sul a Guerra dos Farrapos. Mais de dez presidentes de província e generais se haviam sucedido desde o início da luta, sempre sem êxito. Mister de sua capacidade administrativa, técnico-militar e pacificadora, o governo imperial nomeou-o, em 1842, comandante-chefe do Exército em operações e presidente da província do Rio Grande do Sul.
Logo ao chegar a Porto Alegre fez apelo aos sentimentos patrióticos dos insurretos através de um manifesto cívico. A certo passo dizia: "Lembrai-vos que a poucos passos de vós está o inimigo de todos nós - o inimigo de nossa raça e de tradição. Não pode tardar que nos meçamos com os soldados de Oribe e Rosas; guardemos para então as nossas espadas e o nosso sangue. Abracemo-nos para marcharmos, não peito a peito, mas ombro a ombro, em defesa da Pátria, que é a nossa mãe comum".
Mesmo com carta branca para agir contra os revoltosos, marcou sua presença pela simplicidade, humanidade e altruísmo com que conduzia suas ações. Assim ocorreu quando da captura de dez chefes rebeldes aprisionados no combate de Santa Luzia onde, sem arrogância, com urbanidade e nobreza, dirigiu-se a eles dizendo: "Meus senhores, isso são conseqüências do movimento, mas podem contar comigo para quanto estiver ao meu alcance, exceto para soltá-los."
Se no honroso campo da luta, a firmeza de seus lances militares granjeava-lhe o rosário de triunfos que viria despertar nos rebeldes a idéia de pacificação, paralelamente, seu descortino administrativo, seus atos de bravura, de magnanimidade e de respeito à vida humana conquistaram a estima e o reconhecimento dos adversários. Por essas razões é que os chefes revolucionários passaram a entender-se com o Marechal Barão de Caxias, em busca da ambicionada paz. E em 1 de março de 1845 é assinada a paz de Ponche Verde, dando fim à Revolução Farroupilha.
É então proclamado não só Conselheiro da Paz, como também "O Pacificador do Brasil".
Em 1845 Caxias é efetivado no posto de marechal-de-campo e é elevado a conde. Em seguida, mesmo sem ter se apresentado como candidato, teve a satisfação de ter seu nome indicado pela província que pacificara há pouco, para senador do império. Em 1847 assume efetivamente a cadeira de senador pela província do Rio Grande do Sul.
A aproximação das chamas de uma nova guerra na fronteira sul do Império acabaram por exigir a presença de Caxias, novamente, no Rio Grande do Sul e em junho de 1851 foi nomeado presidente da província e comandante-chefe do Exército do Sul, ainda não organizado. Essa era a sua principal missão: preparar o Império para uma luta nas fronteiras dos pampas gaúchos.
Assim, em 5 de setembro de 1851 Caxias adentra o Uruguai, batendo as tropas de presidente uruguaio deposto Manuel Oribe, que aliara-se ao ditador Rosas para recuperar o poder. A derrota de Rosas , finalizada na Batalha de Monte Caseros , nas proximidades de Buenos Aires, diminuiu a tensão que era crescente na região.
Em 1852, é promovido ao posto de tenente-general e recebe a elevação ao título Marquês de Caxias.
Em 1853, uma carta imperial lhe confere a carta de conselho, dando-lhe o direito de tomar parte direta na elevada administração do Estado e em 1855 é investido do cargo de ministro da guerra.
Em 1857, por moléstia do Marquês de Paraná, assume a presidência do Conselho de Ministros do Império, cargo que voltaria a ocupar, em 1861, cumulativamente com o de ministro da guerra.
Em 1862 foi graduado marechal-do-exército, assumindo novamente a função de senador no ano de 1863.
Em 1865 inicia-se a Guerra da Tríplice Aliança, reunindo Brasil, Argentina e Uruguai contra as forças paraguaias de Solano López.
Em 1866, Caxias é nomeado comandante-chefe das forças do império em operações contra o Paraguai, mesma época em que é efetivado marechal-do-exército. Comprovando o seu elevado descortínio de chefe militar, Caxias utiliza, pela primeira vez no continente americano, a aeroestação (balão) em operações militares, para fazer a vigilância e obter informações sobre a área de operações.
O tino militar de Caxias atinge seu ápice nas batalhas dessa campanha. Sua determinação ao marechal Alexandre Gomes de Argolo Ferrão para que fosse construída a famosa estrada do Grão-Chaco, permitindo que as forças brasileiras executassem a célebre marcha de flanco através do chaco paraguaio imortalizou seu nome na literatura militar. Da mesma forma, sua liderança atinge a plenitude no seu esforço para concitar seus homens à luta na travessia da ponte sobre o arroio Itororó - "Sigam-me os que forem brasileiros".
Caxias só deu por finda sua jornada ao ser tomada a cidade de Assunção, capital do Paraguai, a 1 de janeiro de 1869.
Em 1869, Caxias tem seu título nobiliárquico elevado a duque, mercê de seus relevantes serviços prestados na guerra contra o Paraguai. Eis aí um fato inédito, pois Caxias foi o único Duque do Império do Brasil.
Em 1875, pela terceira vez, é nomeado Ministro da Guerra e presidente do Conselho de Ministros.
Caxias ainda participaria de fatos marcantes da história do Brasil, como a "Questão Religiosa", o afastamento de Dom Pedro II e a regência da Princesa Isabel. Já com idade avançada, Caxias resolve retirar-se para sua terra natal, a província do Rio de Janeiro, na Fazenda Santa Mônica, na estação ferroviária do "Desengano", hoje Juparanã, município de Valença.
Faleceu no dia 7 de maio de 1880, às 20 horas e 30 minutos, em Desengano, atualmente distrito de Juparanã, em Valença (Rio de Janeiro), Rio de Janeiro.
No dia seguinte, seu corpo foi embarcado em trem especial na estação ferroviária ainda hoje existente em Juparanã, Valença (Rio de Janeiro), e levado até a estação do Campo de Santana no Rio de Janeiro. Estava vestido com o seu mais modesto uniforme de marechal-de-exército, trazendo ao peito apenas duas das suas numerosas condecorações, as únicas de bronze: a do Mérito Militar e a Geral da Campanha do Paraguai, tudo consoante suas derradeiras vontades expressas.
Outros desejos testamentários são respeitados: enterro sem pompa; dispensa de honras militares; o féretro conduzido por seis soldados da guarnição da Corte, dos mais antigos e de bom comportamento, aos quais deveria ser dada a quantia de trinta cruzeiros (cujos nomes foram imortalizados em pedestal de seu busto em passadiço do Conjunto Principal antigo da Academia Militar das Agulhas Negras); o enterro custeado pela Irmandade da Cruz dos Militares; seu corpo não embalsamado.
Quantas vezes o caixão foi transportado, suas alças foram seguras por seis praças de pré do primeiro e do décimo Batalhão de Infantaria.
No ato do enterramento, o grande literato Visconde de Taunay, então major do exército, proferiu alocução assim concluída:
Em 25 de agosto de 1923, a data de seu aniversario natalício passou a ser considerada como o Dia do Soldado do exército brasileiro. O Exército assim justificou tal homenagem: "instituição que o forjou e de cujo seio emergiu como um dos maiores brasileiros de todos os tempos. Ele prestou ao Brasil mais de 60 anos de excepcionais e relevantes serviços como político e administrador público de contingência e, inegualados, como soldado de vocação e de tradição familiar, a serviço da unidade, da paz social, da integridade e da soberania do Brasil Império."
Em mais uma homenagem a Caxias, desde 1931 os cadetes do exército da Academia Militar das Agulhas Negras, portam como arma privativa, o Espadim de Caxias, cópia fiel, em escala, do glorioso e invicto sabre de campanha de Caxias que desde 1925 é guardado como relíquia pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a que o duque de Caxias integrou como sócio honorário a partir de 11 de maio de 1847.
O decreto do governo federal de 13 de março de 1962 imortalizou nome do invicto duque de Caxias como o patrono do exército brasileiro.
Atualmente, os restos mortais do duque de Caxias e de sua esposa repousam no panteão a Caxias.
Foi Presidente do Conselho de Ministro e simultaneamente ministro da Guerra
Foi Presidente do Conselho de Ministro e simultaneamente ministro da Guerra
Foi Presidente do Conselho de Ministro e simultaneamente ministro da Guerra
O Duque de Caxias já foi retratado como personagem na televisão, interpretado por Sérgio Britto na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999) e Nélson Diniz na minissérie "A Casa das Sete Mulheres" (2003).
Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 2 (dois cruzeiros) e nas de Cr$ 100,00 (cem cruzeiros) de 1981.
| Precedido por Manuel Felizardo de Sousa e Melo |
Presidente da província do Maranhão 1840 — 1841 |
Sucedido por João Antônio de Miranda |
| Precedido por Saturnino de Sousa e Oliveira Coutinho |
Presidente da província do Rio Grande do Sul 1842 — 1846 |
Sucedido por Patrício José Correia da Câmara |
| Precedido por Pedro de Alcântara Bellegarde |
Ministro da Guerra do Brasil 1855 — 1858 |
Sucedido por José Antônio Saraiva |
| Precedido por Marquês de Paraná |
Primeiro-ministro do Brasil 3 de setembro de 1856 — 4 de maio de 1857 |
Sucedido por Marquês de Olinda |
| Precedido por Barão de Uruguaiana |
Primeiro-ministro do Brasil 2 de março de 1861 — 24 de maio de 1862 |
Sucedido por Zacarias de Góis e Vasconcelos |
| Precedido por José Antônio Saraiva |
Ministro da Guerra do Brasil 1861 — 1862 |
Sucedido por Manuel Marques de Sousa |
| Precedido por José Maria da Silva Paranhos (Visconde do Rio Branco) |
Primeiro-ministro do Brasil 25 de junho de 1875 — 5 de janeiro de 1878 |
Sucedido por Visconde de Sinimbu |